04 janeiro 2017

Resenha: Cidade Banida, por Ricardo Ragazzo

Cidade Banida
Autor: Ricardo Ragazzo
Editora: Planeta
Páginas: 384.
Nota: 3.7/5

No futuro, a Terra foi assolada por inúmeras guerras, o que dizimou 99% da população humana e transformou sua vida animal e vegetal. Boa parte dos seres humanos acabou confinada dentro dos muros de Prima Capitale, regida pelas draconianas regras do Supremo Decano. Por causa da rigidez do governo, todos os bebês nascidos no lugar precisam passar pelo crivo dos chamados cognitos, seres com poderes psíquicos capazes de prever o futuro. Caso, nesta visão, seja revelado que o novo cidadão cometerá um crime, sua sentença é a morte. Seppi Devone foi um desses bebês vetados. No entanto, sua mãe, Appia, consegue fugir com ela, livrando-a da cruel sentença. Elas vivem incógnitas numa comunidade no meio da mata e Appia cria sua filha como um garoto. Mas, quando Seppi completa 15 anos, o destino bate à sua porta e a garota terá de enfrentá-lo. Afinal, a adolescente é a única esperança que muitos oprimidos têm de se livrar do mal a que são submetidos pelo Supremo Decano. Irá ela abraçar essa sua missão?


Oi, depois de um tempinho de sumiço e vida corrida, voltei e com uma resenha de livro nacional  :)


Cidade Banida é uma fantasia distópica sobre um mundo (?) que foi assolado por muitas guerras e tragédias, e agora sobrevive através de um governo opressor (parecido com algo que você já leu? acho que sim), que veta crianças com probabilidade de lutarem contra esse sistema no futuro. Pois é, é meio doido mesmo.

Acontece que nossa protagonista, Seppi Devone, foi uma das crianças vetadas e o seu destino seria a morte, se sua mãe não a tivesse salvo e fugido com ela. Assim, sua mãe abdicou de uma vida de luxos, conforto e regras para salvar sua amada filha, mas fazendo isso, ambas se tornaram perseguidas e procuradas pelo governo de Prima Capitale, sendo vítimas até de caçadores de recompensas.

Em virtude disso, Seppi passa a viver como menino, carregando consigo uma culpa extrema pelo peso da mentira. Tava tudo bom, tudo muito bem, até que Seppi descobre que essa mentira dela era a menor de todas e a partir disso começa a história em si. 

Entre muitas mentiras e loucuras, Seppi se descobre "A ESCOLHIDA" (claro) para salvar o mundo e livrar a todos do sistema ditador. Mas, minha gente, essa menina tem 15 anos e uma (leve) obsessão pelo próprio cabelo (???), além de que Seppi tem uma linha de raciocínio muito difícil de acompanhar, seja pelos sentimentos conflitantes seja pela linguagem extremamente rebuscada para a idade. 

Todavia, Seppi não cansa de ir atrás da verdade e proteger a quem ama (fofa né), e por causa disso se mete numas brigas pesadíssimas. Um detalhe muito importante e que é a base do livro, é o fato de que a personagem é uma totêmica, ou seja, ela tem poderes decorrentes das infinitas mutações que ocorreram nos seres humanos após as chamadas Guerras Tríplices, e é por causa desse poder que tudo se desenrola. A especialiade de Seppi é (basicamente) controlar mentes, fazer levitar coisas e explodir cabeças, mas ela ainda não domina completamente esse poder, então o ponto alto da história é a sua jornada de descobrimento e salvação, seja de si ou do mundo.

Enfim, eu fui com muitas expectativas no livro e não foi nada do que eu imaginava, daí eu me decepcionei um pouco? Sim. Mas não é um livro ruim, nada disso. É um livro muito bom, de verdade, é um achado! O autor escreve extremamente bem, com uma linguagem muito prolixa e cheia de metáforas. E também ele construiu todo um universo fantástico, dando novos nomes às coisas e animais, criando cidades e batalhas épicas. 

O livro tem aventura do começo ao fim, cada capítulo é um tiro e uma verdade nova jogada bem no meio da cara. Mas (sempre tem um mas né) os capítulos são desproporcionais, enquanto uns são muuuuuito longos, outros são tão curtos que você fica tipo: Hein, mas já acabou? Cadê o resto?. Isso me incomodou um pouco, porque me dava a sensação que eu não ia conseguir terminar de ler nunca. Outra coisa que me deixou um pouquinho chateada foi o fato de o autor pesar a mão no rebuscamento da linguagem e do nada ṔÁ! tá lá um "fique frio", mas heeein? Vamo decidir aí né.
Mais uma coisinha que não é lá tão legal (pra mim, no caso) é narração excessiva de detalhes, eu achei que tinha coisas ali que não precisava, que tava bom já, não tinha pra que enfeitar tanto, só um opinião, tá gente.
Tem também uma coisa que me irritou profundamente, que foi uma tentativa fail de romance (até revirei os olhos aqui) da personagem com uma pessoa muito nada a ver. E o sofrimento dela de "AI MEU DEUS, SERÁ QUE ELE ME QUER (lágrimas)", simplesmente cheguei numa idade que a paciência pra isso acabou, não dá.
Já terminando aqui, uma coisa que é recorrente em livros do gênero é que os personagens são novos demais pra carregar uma carga de sentimentos e atribulações tão grande, pra ter uns pensamentos tão profundos, serem samurais lutdores altamente treinados em diversas artes marcias, determinados, porém de coração mole e claro, inteligentes acima da média. Eu só não entendo, desculpa. Fica aí a reflexão.

No mais, o livro é bom sim. Provavelmente lerei a continuação (a contragosto, porque eu pensei que era livro único e fiquei meio decepcionada) e indico pra quem ama distopias e quer conhecer um livro nacional do gênero. A edição do livro é quase perfeita, com espaçamento ótimo, aquele papel grossinho e amarelado que a gente ama, capa linda e com textura, um quadro explicativo de todo universo do livro, só o que deixou a desejar mesmo foi o tamanho dos capítulos.

Mas leiam, é um livro ótimo, de verdade, e só de poder voltar a escrever resenha aqui por causa dele já fico feliz!


Possivelmente farei mais resenhas esse mês, então até mais e boas festas/férias!

Melissa.

Um comentário:

  1. Oii!

    Fiquei um pouquinho na dúvida sobre a leitura após a resenha. Não sei se conseguiria ler, ou se teria vontade de continuar com a leitura. Já li alguns livros que tratam de histórias similares a essa e acabei gostando. Vou procurar mais informações sobre essa!

    beijos

    http://mecontanoblog.blogspot.com.br

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