01 dezembro 2014

Resenha: A vida não é Justa - Andréa Pachá


Título: A vida não é justa
Autora: Andréa Pachá
Editora: Agir (Nova Fronteira)
Lançamento: 2012
Nota: 5/5 estrelas

A partir da vivência de 15 anos como juíza de uma Vara de Família, com uma rotina de até dez audiências por dia, Andréa Pachá acumulou um rico acervo de histórias de casais em momentos de crise, quando laços de família são desfeitos, amores, extintos e antigos afetos, ameaçados por sentimentos destrutivos como ciúme, culpa, inveja e frustração.
Comparando sua atividade profissional com a de um psicanalista, ela observou: “Num processo de terapia, a pessoa leva anos para se expor. Mas diante de um juiz que ela nunca viu na vida é capaz de despejar tudo.” E assim Andréa Pachá nos conduz por essa viagem em torno de estados d’alma em situação-limite.


Olá pessoas!

Trago hoje a resenha de um nacional que não é ficção, mas relatos da realidade. Confesso que tenho preferência por ficções, especialmente por finais felizes. Quem não gosta de sair da realidade que vive e mergulhar em outro mundo? Mas dei uma chance para esse livro e me surpreendi :)

Já o tinha em versão digital tem um bom tempo, mas ele ficou esquecido em meu Kindle. Só que final de período na faculdade chegou e, após um semestre estudando Direito de Família, acabei por me lembrar dele.

Sabe aquele programa do SBT, “Casos de Família”? Tem dezenas de piadas no Facebook com ele, mas sei que, no fundo, muitas pessoas tem um guilty pleasure com esse tipo de entretenimento: ver os problemas dos outros em primeira mão. De certa forma, é isso que a Excelentíssima Doutora Andréa Pachá faz nesse livro. Mas não quero rebaixá-la a um programa televisivo de quinta categoria, então, vou tentar me explicar melhor.

O livro traz um relato de casos reais que passam por uma Vara de Família, uma seção dos Tribunais especializada em lidar com diversos problemas envolvendo relações pessoais: desde divórcio, guarda de filhos a reconhecimento de paternidade. Mas o que me surpreendeu é que a autora não fez um relato cru e objetivo dos casos, mas exprimiu suas emoções em cada um deles.

É uma leitura rápida, acreditem. Cada caso leva apenas algumas páginas, e estão separados em  partes, dividindo entre problemas de divórcio, filhos e conciliação. Embora alguns sejam tristes de serem lidos, outros são cômicos, como o relato de Gabriel, que entrou no cartório da Vara avisando que, se não fosse atendido, viraria traficante do morro do Alemão.

– Então, Gabriel, você é filho da dona Maria, e nasceu em Petrópolis, no dia 20 de dezembro de 1991? 
– Posso pedir uma coisa, doutora?
– Pois não.
– Dá pra eu nascer dia 1? É que dia 20 fica muito perto do Natal e todo mundo esquece do meu aniversário.
Quase vinte anos sem registro, dois anos num emaranhado burocrático para provar que existe, vergonha de ser confundido com um ladrão de cesta básica, a iminência de virar traficante do morro do Alemão, 19 dias de antecipação de um nascimento?
– Claro que dá!
(...)
Só com o papel na mão que Gabriel, finalmente, acreditou que eu era juíza.

Como eu comentei antes, a autora não tratou o livro como os autos de um processo, onde só entram fatos objetivos. Ela deixou claro o que sentiu em cada um dos momentos, a agonia de assistir uma situação em que não podia interferir, a tristeza por certas coisas que nem uma juíza pode mudar. Mas também a felicidade e satisfação de ver algo acontecer quando se age da forma correta.

E o melhor? Esqueça a linguagem jurídica. Você não precisa ser um operador do Direito para entender. Claro, como estudante da área, vi muito mais do que um leitor leigo: discussão da parentalidade socioafetiva, por exemplo. Mas mesmo que você não saiba absolutamente nada de “juridiquês”, conseguirá entender perfeitamente o livro, pois ele foi escrito de forma leve, para que pessoas de qualquer público pudessem compreendê-lo.

Pelo que vi ao final da obra, a autora exerce sua função de Juíza em Petrópolis, cidade histórica do estado do RJ, onde parte da família de meu marido vive. Meio óbvio que, da próxima vez que visitar minha sogra, vou descolar uma versão física do livro e dar uma passadinha no Tribunal para pegar um autógrafo :P

Até mais! o/

Izandra.


5 comentários:

  1. Também gosto mais de ficção, mas as vezes quando lemos algo que realmente aconteceu, o impacto se torna maior ainda.
    Parece ser interessante, ainda mais pela autora não abusar da linguagem mais complexa!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  2. Olá Izandra!
    Primeiramente, parabéns pela resenha! Fiquei muuuuuito tentada a correr atrás do livro e lê-lo pra ontem! Na verdade ainda estou coçando para fazer isso!!!! =)
    Sempre é muito bom sairmos um pouco da ficção e darmos espaço para aqueles livros que nos ajudam a enxergar melhor o dia a dia! Faz tempo que não leio um livro do gênero e, por isso, fiquei muito curiosa sobre essa história. Ainda mais quando se trata de livros de nossa área, não é mesmo????

    Beijos
    http://estantedafer.blogspot.com.br

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  3. caracas, izandra! esse livro parece ótimo, e esse caso do gabriel foi meio louco, afinal, não conheço nenhum gabriel que seja normal - eu sou um grande exemplo de anormalidade. rsrs
    eu curti e fiquei até com vontade de estudar direito - ah, assista "caso encerrado" no sbt - passa á noite, mas não sei a hora, é bem melhor que "casos de familia" e tem muitos casos que é pra rir, outros pra chorar.

    gabryel fellipe

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  4. Oi, Ize. :D
    Por mais que eu tenha achado o livro interessante e que o livro em geral tenha me chamado atenção (mesmo também preferindo ficção), eu tenho aquela "trava" sabe quando se fala de divórcio e essas coisas. Morro de medo da maldita "ressaca literária". Mas, acho que a ressaca vale a pena para poder ler esse livro!
    E concordo com você na parte do guilty pleasure (se é que eu entendi isso corretamente, rs). Não só através da TV, mas quase sempre. Li um livro nos últimos dias que falava algo assim "o povo tem um gosto mórbido pela morte" na parte em que vários curiosos paravam para ver o corpo de um homem que havia sido assassinado. Isso é bem real, o povo gosta de saber sobre crimes, sobre acidentes... mesmo que não admita. Acha tudo "horrível", mas gosta de saber sobre.
    É ainda mais interessante saber que a juíza soube mostrar outros pontos de vistas além do de juíza (deu pra entender? rs). Acho que assim até a leitura fica mais fácil. E vamos combinar que o juridiquês complica um pouco as coisas. O engraçado, é que no manual de redação da presidência da república, diz que "Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua compreensão." HAHAHA, que ironia. Só o "ato normativo" já é um tanto obscuro para mim, rs.
    Beijos <3

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  5. Oi Roberta!

    Adorei a resenha, me deu vontade de ler na hora, ainda mais pq sou super curiosa hehehehhehehhee.
    Se conseguir mesmo encontrar com ela, posta foto aqui dela com o livro e o autográfico. Ía ser D+
    Abraço!

    http://kelenvasconcelos.blogspot.com.br

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