Resenha: Primeiro Amor - James Patterson

06 outubro 2014

Livro: Primeiro Amor
Autores: James Patterson e Emily Haystond
Editora: Novo Conceito
Lançamento: fevereiro/2014
Nota: 3,5/5 estrelas

Axi Moore é uma garota certinha, estudiosa, bem comportada e boa filha. Mas o que ela mais quer é fugir de tudo isso e deixar para trás as lembranças tristes de um lar despedaçado. A única pessoa em quem ela pode confiar é seu melhor amigo, Robinson. Ele é também o grande amor de sua vida, só que ainda não sabe disso. Quando Axi convida Robinson para fazer uma viagem pelo país, está quebrando as regras pela primeira vez. Uma jornada que parecia prometer apenas diversão e cumplicidade aos poucos transforma a vida dos dois jovens para sempre. De aventureiros, eles se tornam fugitivos. De amigos, se tornam namorados. Cada um deles, em silêncio, sabe que sua primeira viagem pode ser também a última, e Axi precisa aceitar que de certas coisas, como do destino, não há como fugir. Comovente e baseado na própria vida do autor, este livro mostra que, por mais puro e inocente que seja, o primeiro amor pode mudar o resto de nossas vidas.


Olá pessoas!

Trago hoje a resenha de um livro que foi publicado originalmente por senso de oportunismo – e não estou nem falando sobre a Novo Conceito, mas da editora americana em si.
Primeiro de tudo: nunca li nenhum livro do James Patterson. As pessoas falam muito dele, mas nunca consegui me interessar por nenhum livro. Não sou chegada a enredos policiais, e todos me parecem exatamente assim... Mas “Primeiro Amor” era um romance e, depois de vê-lo no blog Caverna Literária, resolvi lê-lo.

Agora, o por que do “oportunismo”? Simples: sabem as palavras do autor que antecedem o início da história? Geralmente agradecimentos e coisas do tipo (às vezes, vem no final). Elas dizem muito sobre o autor, e tenho o costume de lê-las. E, neste livro daqui, o James Patterson assumia que entregou o manuscrito para seu editor em 2010, quatro anos atrás. Curiosa que sou, pesquisei e vi que a editora americana só lançou o livro neste ano, juntos da Novo Conceito.

O “oportunista” vem porque o tema principal do livro – não revelado na sinopse – fez um sucesso estrondoso do ano passado pra cá, tendo até filme lançado no cinema. E esse tema é um mega spoiler que, de novo, não é dito na sinopse, mas que na minha humilde opinião de leitora, deveria ser.

E EU VOU CONTAR! Por isso, se você não quer saber, não leia daqui em diante!!!

Pois bem, preparados? O livro fala sobre câncer. Isso mesmo, você leu bem: mais um casal de jovens acometidos por câncer, tentando viver suas vidas com essa realidade. Qualquer coincidência com esse título ser lançado após o sucesso de “A Culpa é das Estrelas” não é mera coincidência! Foi senso de oportunismo mesmo, pois a editora americana já poderia ter publicado desde 2010, mas como é um tema sensível, deixaram engavetado. E aí vem o John Green e publica seu livro, o mesmo faz sucesso e agora vem a onda de livros sobre câncer no mercado... Bem parecido com a onde de hots após o sucesso de vendas de “50 tons de cinza”.

E porque eu contei esse spoiler? Quem acompanha minhas resenhas aqui no blog sabe que sou extremamente contra estragar a graça da história. Mas neste caso, não considero isso como o tempero, e sim, como essencial.

Eu fazia parte de um grupo de leitura, uns anos atrás. Naquela época, “A Culpa das Estrelas” ainda não era modinha, mas já estava nas livrarias. Escolhemos esse título para ler e uma amiga minha, que não tinha nem lido a sinopse, ficou chocada, sem nem conseguir terminar a leitura. Isso porque o pai dela morreu de câncer; ela não conseguia ler uma história tratando esse tema, ainda mais de jovens tentando levar essa doença de forma mais leviana, sem se importarem em como seus familiares se sentem a respeito.

Certo, ela podia ter evitado esse sofrimento se tivesse lido a sinopse. Mas aí é que está: consta na sinopse de “A Culpa é das Estrelas” que é um livro de jovens com câncer. Mas “Primeiro Amor” é vendido como sendo apenas um romance, e aí você passa 50% lendo sobre o tema e o sofrimento causado por ele!

Achei isso injusto por parte das editoras, tanto a americana quanto a Novo Conceito. Pessoas que tiveram familiares com essa doença dificilmente conseguem ler livros assim, e simplesmente omitem da sinopse, tentando manter o mistério da história. Mas, como eu disse, pra mim essa é uma informação essencial.

Sei que falei muito e, ao mesmo tempo, não disse nada do livro. Mas, sério, não sei o que falar de um livro desses. Livros que me deixam depressiva ao final também me deixam sem palavras, e só fiz essa resenha porque acredito que alguma resenhista tem que ser honesta sobre o que trata a história (numa busca rápida na internet, não encontrei nenhuma resenha que citasse “câncer”; mas posso estar enganada, já que passei o olho rapidamente).

Axi e Robinson são um casal interessante, e a interação deles é tão boa quanto a Hazel e o  Gus. Me conquistaram pela primeira metade do livro, mas depois, na forma como eles levaram seus problemas... Me fez pensar que poderiam ter agido muito melhor. O autor teve uma experiência pessoal a respeito, mas pelo que deixou transparecer, foi lidada de forma diferente, o que tornou desnecessário as cenas finais que ele escreveu.
Além disso, achei que a história inteira se baseou em um pressuposto simples demais: que ambos já eram apaixonados um pelo outro, mas não revelavam, mantendo-se como amigos. Ok, vários livros utilizam isso; mas em nenhum deles já começa com a ideia de carpe diem que há nesse livro. Ambos acreditam que precisam viver seus dias da melhor forma possível, uma vez que passaram pelo tratamento de câncer juntos. Então por que a Axi fica enrolando tanto pra dizer o que sente pelo Robinson, e vice-versa? Sem sentido, mesmo.

Não sei o quanto da escrita é de Patterson ou da autora que escreveu em conjunto com ele, mas até que gostei. Talvez eu leia algum outro livro dele, afinal.

Bem, é isso. Sei que não disse muito, mas não estou conseguindo me alongar mais. Ficará por isso mesmo, e espero trazer um livro mais feliz em minha próxima resenha :)

Até a próxima! o/


Izandra.

11 comentários:

  1. Oiee

    Amo livros que são considerados tristes kkkk só pelo seu "spoiler" que ao meu ver nem seria mas já fiquei com vontade de ler kkkk com certeza vou querer ler agora mesmo você nao gostando!

    Beijos e parabéns pela resenha gostei da sinceridade!

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  2. Oi, Izandra!
    Eu gostei de ACEDE, mas não se tornou um dos meus livros favoritos e, provavelmente, eu não leria outro livro com o mesmo tema. Pra falar a verdade, o filme me emocionou mais.
    Essa questão de o câncer não ser mencionado me lembrou um pouco Um Amor para Recordar. Também é um livro que esconde a doença da personagem até certo ponto (apesar que, nesse caso, parece ser revelado logo que os personagens sofrem dessa doença).
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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  3. Oi, Izandra!
    (acho que a internet bugou e meu comentário não foi hahaha)
    Eu gostei de ACEDE, mas preferi o filme, me emocionou mais. Acho que não leria outro livro "mais do mesmo".
    Essa questão do câncer não ser mencionado me lembrou Um Amor Para Recordar, que só revela a doença da personagem bem depois (apesar que nesse caso parece ser dito logo que os personagem sofrem de câncer).
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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  4. Eu nunca pensei desse lado de pessoas que perderam familiares pelo câncer lendo algo do tipo, realmente deve ser muito doloroso, eu perdi um avô pelo câncer e acho que é por isso que eu tb não leio esse tipo de romance. Eu vi so o filme a culpa é das estrelas só por curiosidade, mas acho que livros são sempre mais profundos, Eu não gostava e não sabia muito porque até vc falar, vc acredita? muito obrigada por ser tão franca, bjus :*

    Lê a ultima resenha publicada no meu blog, Pérola na Areia-> http://www.byanak.com.br/2014/09/perola-na-areia-tessa-afshar.html

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  5. Olá Izandra, tudo bem?
    Adorei sua resenha do início ao fim e concordo com você de que as editoras deveriam ser mais francas com o leitor em relação a história que é narrada em seus livros. Seria mais respeitoso, você não acha: Principalmente em se tratando de temas delicados como esse.
    Eu já vi esse livro nas prateleiras das livrarias que frequento, mas nunca me senti tocada para lê-lo, apenas li a sinopse e ficou por isso. Só que jamais passou pela minha cabeça de que o mesmo abordaria um tema como o câncer, principalmente porque nada no livro nos deixa dicas disso: capa, título, sinopse, etc.
    Mas pode ficar tranquila que você não estragou a minha surpresa, porque eu não pretendia ler o livro mesmo, auashasuhasuashasuahsa...

    Beijos
    http://estantedafer.blogspot.com.br

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  6. Olá
    Eu ganhei esse livro e ainda não o li, mas quero ler em breve, escuto falar mt bom do autor e curto bastante romance e o livro me atraiu bastante haha
    Sua resenha está ótima e fiquei ainda mais curiosa.

    Beijão
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/2014/10/resenha-segredos-de-familia-varios.html

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  7. Oi!
    Não conhecia esse livro, quando li a sinopse não pensei que teria nada relacionado a esse tema. Também achei injusto não aparecer na sinopse que o livro contém um tema e fundamental importância no livro. Nunca tinha parado para pensar em como pessoas, que perderam familiares para essa doença, reagiriam ao ler ao do gênero.
    Muito bom você ter sido sincera.
    Beijos
    Construindo Estante || Facebook

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  8. Nunca tinha ouvido falar desse livro, e quando eu li sua resenha não consegui me interessar tanto assim. Foi uma tremenda sacanagem da editora não ter publicado antes, já que poderia ter feito um sucesso estrondoso, e teria sido ótimo para o autor, mas ok.

    The Lord of Thrones

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  9. Fico feliz por você ter se interessado pelo livro e resolvido ler! Pena que não foi o que você esperava. Olha, eu tenho uma opinião bem diferente da sua, e por isso mesmo não citei isso na minha resenha (na verdade, até dei um aviso, falando que era bem parecido com um filme). O câncer é exatamente a surpresa do livro. Não acho que na sinopse se deva estar explícito tudo o que o livro fala. É como dizer "Esse livro retrata uma menina que é morta e o assassino é tal pessoa". Já escancara tudo, e a intenção do autor foi exatamente essa: Surpreender. Ninguém espera por isso, então é um baque, e você tem que aprender a lidar com os sentimentos, junto dos personagens. O câncer não é citado o livro inteiro porque eles estão exatamente tentando esquecer isso, eles querem aproveitar tudo que não puderam durante anos de sofrimento. E qual seria a graça se já fosse jogado "Os dois tiveram câncer e vajam pelo mundo enquanto ainda há tempo"? A culpa é das estrelas diz sobre a doença logo de cara porque ESSE é o centro da história. Já esse, o autor quis nos envolver com o amor deles primeiramente, pra depois jogar a bomba; é uma tática que pelo menos pra mim tornou tudo mais emocionante ainda. Mas bom, espero que uma próxima indicação você aprecie haha

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/
    Tem resenha nova de "Fangirl" no blog, vem conferir!

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  10. Caracas, Izandra! Oportunismo mesmo! Mas o que não gostei mesmo foi esconderem qual o tema principal do livro. E realmente acho que histórias de câncer já está muito bom pra quantidade, devem buscar outra modinha. Está na hora de pararem de focar nisso, embora o James tenha escrito antes do Green, mas a editora se aproveitou com a base da moda. Ah, fiquei também muito pensativo no que uma sinopse mal feita pode fazer. Bjs

    Com satisfação,
    Gabryel Fellipe

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  11. Livro está na minha lista de leitura ;)
    Bjs
    eternamente-princesa.blogspot.com.br

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