25 agosto 2014

Resenha: Dublin Street - Samantha Young


Livro: Dublin Street
Autora: Samantha Young
Editora: Leya (selo Quinta Essência)
Ano de lançamento: 2014
Nota: 3,5/5
Traumatizada pelo seu trágico passado, a americana Joss muda-se para a Escócia, na romântica Edimburgo, onde espera começar uma nova vida. Durante quatro anos tenta negar memórias dolorosas, refugiando-se na escrita, no sonho de um dia, finalmente, pôr os seus fantasmas no papel. Mas de repente tudo muda. Quando vai morar em um luxuoso apartamento na Dublin Street, conhece o desconcertante Braden, um carismático milionário que exerce sobre ela um irresistível fascínio. Joss se vê numa encruzilhada. Sabe que a atração entre ambos é imediata, avassaladora. Mas os demônios do seu passado a impedem de se entregar ao sensual escocês. É então que ele lhe propõe um estranho acordo, que lhes permitirá explorar a atração entre eles sem se envolverem emocionalmente. Joss aceita. E no início acredita, inocentemente, que o acordo vai dar certo. Mas Braden quer mais, muito mais, quer tudo. Quer desvendar todos os seus segredos – e está disposto a mudar o que for preciso para tê-la por inteiro. Mas será que ela está disposta a ir até o fim?

Olá, pessoas! Trago para vocês mais uma resenha, desta vez, de um romance puro. Sabe aqueles “romances de banca”, publicados pela editora Harlequin? Pois bem, “Dublin Street” não perde para eles; na verdade, pude perceber que a grande jogada a Leya com o selo Quinta Essência foi justamente publicar esse tipo de romance, só que mais “enfeitado”, com ares de livro sério, por assim dizer.
O grande diferencial de Dublin Street é que sua personagem principal, Jocelyn (ou Joss, como prefere ser chamada) possui síndrome do pânico, que acompanhamos durante toda a leitura. Para quem não conhece nada à respeito desta condição médica, acabamos entendendo muito bem como uma pessoa se sente ao ter um ataque desta síndrome.

“Senti um aperto bem forte no peito e tropecei na esteira, o mundo ao meu redor voltando, mas num pulsar de cores e barulhos que não fazia sentido. Meu sangue estava martelando nos meus ouvidos; meu batimento cardíaco subira tão rápido que eu lutava para respirar. A dor inflamou meu joelho, embora eu mal estivesse consciente disso, ou das mãos fortes que me ajudavam a ficar de pé em solo firme.
– Concentre-se na sua respiração – uma voz suave em meu ouvido me orientou.
Segui a voz e flutuei através do pânico, tomando o controle da minha respiração.”

É bem interessante ver a busca dela por um tratamento – visitando uma terapeuta –, e acompanhar as sessões. Aqui, em específico, acho que a editora perdeu pontos na editoração; isso porque as conversas de Joss com sua terapeuta ocorrem no meio de ações do seu dia e, sem nenhum espaçamento diferente, ou marcador, acabamos confundindo o que está acontecendo, sem saber onde termina uma cena e começa outra. Se a Leya escolheu manter a editoração americana – que não sei se colocou espaçamento – ou se fez por escolha própria, não sei dizer. De toda forma, a sacada da autora, de colocar as sessões entre as cenas, foi muito inteligente – só mal separada.

Não vou dizer que amei o livro, mas também não o detestei. Só diria que esperava mais. Entendam, a Joss é apresentada como uma mulher independente, solitária, marcada por muitos traumas e que comanda sua própria vida. Na primeira metade do livro ela é retratada exatamente assim, sua personagem tendo sido construída de forma coerente. Mas na segunda metade... Bem, Braden surge logo no início, mas o envolvimento real só acontece depois de uns bons capítulos. Temos a “paixão à primeira vista” dos dois que mantém o enredo em movimento, mas a partir do momento em que se envolvem, me parece que Joss deixa de ser quem é.

Sim, ela tem traumas. E, sim, isso faz com que ela tenha certas teimosias, baseadas nesses traumas. Só que, após se envolver com o Braden, a teimosia dela se torna irritante, quase infantil. Além disso, ele se torna o “macho alpha”, mandando e desmandando nela, e ela acatando. Algum problema nisso? Para mim, nenhum, desde que a personagem tenha uma tendência submissa desde o início, mantendo-se coerente. Mas a Joss parece ter mudado seu comportamento independente da água para o vinho, aceitando que Braden controle sua vida e dizendo para si mesma que isso não é nada. Para alguém que sempre foi independente, é lógico que é muito. 

Senti falta do desenvolvimento dos personagens também. A autora centrou a história em Joss e Braden, e na irmã deste, Ellie. Mas a Joss tinha uma vida e amigos anteriores que, apesar de aparecerem no início do livro, depois somem, como se não fossem importantes. Por exemplo, Rhian; ela era a melhor a amiga da Joss antes dela se mudar para Dublin Street. Acompanhamos a ajuda que Joss deu à Rhian no que diz respeito ao relacionamento da amiga; acompanhamos quando uma revela seu passado à outra. E então... Rhian some de cena. É citada parcamente depois da metade do livro, no máximo, com Joss fazendo menção a falar bobeiras com ela no telefone. Em nenhum momento importante a autora utilizou Rhian como verdadeira amiga de Joss, mesmo depois de tudo o que construiu antes.

“Por mais um momento, durante o qual o único som que eu podia ouvir eram as batidas do meu coração, Rhian fungou.
– Eu acho que isso é o mais sincera que você já foi comigo.
– É o mais sincera que eu já fui com qualquer pessoa.
– Você sempre foi tão autocontrolada. Eu pensei que você estivesse bem. Eu pensava que você não precisava que ninguém se preocupasse com você...
Eu me acomodei de novo na cama, dando o meu próprio suspiro profundo.
– O ponto desse derramamento emocional a contragosto de toda essa merda não é fazer com que você se sinta culpada. Eu não preciso que ninguém se preocupe comigo. Esse é o meu ponto. Isso vai mudar um dia? Não sei. Eu não estou pedindo que isso mude. Mas, Rhian, quando você confiou a James toda a sua bagagem, você decidiu naquele dia que estava pedindo que alguém se preocupasse com você. Você estava cansada de ser sozinha.”

E um outro ponto que me irritou – e isso é mais pessoal mesmo – é a forma que a autora descreve os escritores. Joss está tentando ser uma escritora; até certo ponto, a autora acerta em dizer sobre os bloqueios de escrita que um jovem autor tem. Mas dá a impressão de que, para se tornar um escritor, você precisa de uma vida livre, sem trabalho cotidiano, sobrevivendo com um dinheiro de herança ou algo assim (como a Joss). E, convenhamos, apesar de essa ser uma situação ideal – quem não quer fazer o que ama, sem se preocupar com contas para pagar? –, não é a realidade dos autores. Os que conseguem muito sucesso, até podem viver de sua escrita; mas até lá, precisam ralar muito para se sustentar e fazer o que gosta como hobby, e não como carreira.

De toda forma, o livro é muito interessante. Como eu disse, o tratamento para a síndrome de pânico e a forma como Joss lida com seus traumas conseguem sustentar bem a obra inteira. Só acho que o envolvimento com Braden, uma vez iniciado, se deu de forma apressada e centrada demais, como se mais nada existisse no livro. Mas isso não tira os méritos do livro, por isso, indico a leitura para aqueles que gostam de um romance mesclado com seriedade :)

Até a próxima! o/

Izandra.

5 comentários:

  1. Oii!!! Acabei de ver uma resenha desse livro. Eu só nao o leio pq nao gosto do genero hot, mas a história parece ser bem legal. :) Eu adorava os romances de banca, mas me decepcionei com esses modernos, então desisti. heheheh. Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br

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  2. pela sinopse me parece uma coisa, vc falando parece outra, então eu acredito mais em vc kk', parece um livro bom, mas sei la não gosto muito de ler livros que tenha alguém com algum tipo de doença, sou mt sensível perco até o sono (como eu leio á noite) então eu evito, mas parece ser bom!

    byanak.blogspot.com.br

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  3. Oi Ro, já tive um caso de família com esta síndrome e acredito que seria interessante ler o livro para conhecer mais a fundo isso, e como tem uma pitadinha de romance deve tornar tudo mais agradável.

    Espero conseguir uma oportunidade de ler o livro.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  4. Gostei muito da resenha, mas não me interesso por livros assim. Veja bem, não é que eu não goste de romance, gosto, mas não livros puramente romance. Livros assim são tão óbvios! Chatos e óbvios.

    The Lord of Thrones

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  5. Nossa, eu acho livros onde algum personagem tem algum transtorno mental muito interessante, pela resenha acho q eu não gostaria muito do livro, mas também acharia bem interessante SHAUHASHU eu gosto de romances, desde que não sejam de certa forma clichês... Porque ultimamente livros românticos são sempre parecidos com algum outro livro/filme em certo aspecto e os autores acham que vai passar em branco, haha.
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