Resenha: Nossas Noites - Kent Haruf.

23 agosto 2017
Nossas Noites
Autor: Kent Haruf. 
Páginas: 160 .
Editora: Companhia das Letras.  
Nota: 5/5.
Exemplar cedido pela editora para divulgação. 


Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

Olá, gente.

A resenha de hoje é uma cortesia da editora que eu já estava querendo ler há muito tempo. Só tinha visto a sinopse "por cima" e estava fugindo das resenhas mais descritivas, porque queria me surpreender e, de certa forma, foi uma surpresa ótima.

Antes de qualquer coisa, é um livro curto, 160 páginas, os capítulos são apenas numerados, sem título, o que eu acredito ajuda muito para leitura fluir, e os mesmos começam praticamente do meio da página e alguns deles têm apenas uma página. Então, quando você percebe já está no vigésimo capítulo, leu sem pular as páginas e tem todas as informações das quais precisa, de uma forma concisa, sem muito floreios, mas de uma beleza singular.

Aliás, o que me chamou a atenção nesse livro foi a simplicidade em vários aspectos, na escrita, na narração, na própria história, nos personagens, e isso me encantou de uma forma muito especial. Não é uma história sobre grandes acontecimentos históricos, nem personagens heróicos derrotando monstros imaginários, não que eu seja contra isso, muito pelo contrário, gosto muito. Mas sabe quando você  fica meio saturado de certo tipo de história? Foi o que aconteceu comigo, e poder ler esse livro, com uma narrativa tão singela e personagens tão apaixonantes, que me deu um gás de ler mais e me deixou com um quentinho no coração.




Mas vamos a história.

Addie é uma senhorinha viúva de 70 anos, que perdeu um filho e o marido, enquanto seu outro filho está distante dela, tanto em quilômetros quanto em sentimentos, e agora se sente muito só. Ela mora numa cidade  do interior, com uma paisagem bem campesina, tem uma amiga, Ruth, que é uma senhorinha mais velha do que ela, e que, pra mim, é uma das melhores personagens do livro. Na mesma rua de Addie mora Louis, um professor de inglês, viúvo, com uma filha que também mora longe dele, e da qual se sente responsável pela vida que ela tem por erros que ele cometeu no passado, e que também se sente muito sozinho.

Então, Addie vai até a casa de Louis e lhe faz uma proposta: que este fosse dormir com ela todas as noites, para que pudessem conversar e ambos não se sentissem tão solitários. Ele, após pensar um pouco, decide aceitar e a história se desenvolve aos poucos, a cada noite em que Louis passa na casa de Addie e eles vão ficando mais próximos.

As conversas são o ponto alto do livro, nestas são debatidos alguns assuntos tabus na velhice, e são coisas muito factíveis, pessoas que qualquer um poderia conhecer. É a história mais romântica sem clichês exagerados que eu já li.

O livro percorre o dia-a-dia, e por isso traz não só as coisas boas, mas os pensamentos, delírios e enfados. Nem todos os dias são excessivamente emocionantes, mas todos os dias são únicos por apenas existirem. E isso é bonito demais, gente.

"Só quero levar uma vida simples e prestar atenção no que acontece a cada dia. E vir dormir com você à noite.
Bom, isso é o que estamos fazendo. Quemm imaginaria a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente."

No meio desses dias, acompanhamos Addie e Louis, e suas aventuras com Ruth, Jamie (o neto de Addie) e Bonnie (a cachorrinha dele), e a vontade que dá é de estar lá com eles, comendo um sanduíche de queijo com maçã debaixo de uma grande árvore e tomando banho num riacho cristalino.

E em como todas as grandes histórias de amor, essa também tem suas pedras no caminho, e a gente fica só torcendo quietinho do outro lado, para que tudo dê certo no final.

Enfim, se tiverem tempo, leiam! É um livro tão curtinho, mas de uma grandeza sentimental, que acredito que todos deveriam ler. Então é isso, gente.

Até mais,

Melissa Espínola.


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Resenha: O Orfanato da Luz - Caroline Cristine Pietrobom

02 agosto 2017
O Orfanato da Luz
Autora: Caroline Cristine Pietrobom
Páginas: 79
Editora: Giz editorial
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Livro recebido em parceria com a editora. 

 "No orfanato São Bento vivem duas madres, uma família e várias crianças. Entre elas, a pequena Clarice, de apenas 7 anos, possui uma sabedoria incrível.
Quando acontece um sério acidente envolvendo uma das crianças e uma madre, Clarice revelará sua vocação e se tornará a ponte que levará todos ao despertar espiritual, revelando um segredo místico que precisa ser resgatado".

Olá!

O livro O Orfanato da Luz apresenta um tema que ainda não tinha tido a oportunidade de ler, algo mais relacionado a religião, ao espiritismo. Na história, conhecemos a protagonista Clarice, uma criança de 7 anos, que vive em um orfanato. É extremamente inteligente, sábia e que lê diariamente a bíblia.

Um dia, quando as madres do orfanato decidem ir a um passeio ao zoológico (do qual Clarice se recusa a ir), acontece uma tragédia com uma das crianças, que sente uma certa inveja de Clarice, e com uma das madres.

Com essa tragédia, Clarice acaba se aprofundando mais em ajudar as pessoas que vivem ali no orfanato a encontrar o despertar espiritual, que também afeta a madre internada no hospital e a criança que sofreu sérios danos. Assim, todos vão descobrindo quem são com a ajuda de Clarice, que vai se revelando a cada página do livro.

Para quem quer se aventurar em uma história diferente que aborda muita fé em Deus e um pouco sobre o espiritismo, esse livro é perfeito para isso.
O livro tem crianças como personagens principais! Crianças que rezam, que depositam fé nas coisas e que pensam no próximo sempre.



Clarice é uma personagem incrível, determinada, corajosa e que ajuda a todos no orfanato com suas gentilezas, já Sofia, por mais que seja apenas uma criança, se mostra mais carrancuda, demonstra ter ciúmes de tudo e de todos que se mostram melhores que ela em alguns pontos e por isso acaba pensando somente em si mesma, mas no decorrer do livro vamos ver mudanças em Sofia.
As duas madres também são personagens cativantes! Madre Maria foi quem mais me encantou, com seu jeito dócil e fofo de ser com todas as crianças do orfanato, dando amor e carinho igual a todas. Madre Marta, carinhosa também, mas um pouco mais exigente com algumas coisas como horários e estudos.

O livro é narrado em terceira pessoa, mostrando o cotidiano das crianças e os pensamentos de Clarice e contando a vida das madres que vivem ali, como foram parar ali e porque se tornaram madres. A impressão do livro contém letras bem grandes e torna a leitura mais rápida e a capa é muito bonita!

O Orfanato de Luz nos mostra o poder da oração e da fé que cada um de nós tem e muita coisa sobre vidas passadas, um assunto que eu considero muito interessante e adorei a forma como foi abordado neste livro.

Paula Nunes.

Resenha: Armadilha - Melanie Raabe.

24 julho 2017
Armadilha
Autora: Melanie Raabe
Páginas: 304
Editora: Jangada
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Exemplar recebido em parceria com a editora. 

Linda, uma escritora best-seller, vive reclusa em sua casa à beira de um lago desde o assassinato de sua irmã mais nova há doze anos. O assassino nunca foi pego, mas Linda o viu de relance, e agora ela acaba de reconhecer seu rosto na TV. Ele é Victor, um brilhante jornalista. Pensando numa saída para pegá-lo, ela escreve um best-seller baseado no assassinato da irmã e concorda em conceder uma única entrevista à imprensa, em sua casa, para Victor. A partir daí tem início um embate perturbador. Cheio de reviravoltas, tensão e terror psicológico.

Oi, gente. Tudo bem?
Todo mundo que me conhece sabe que um dos meus gêneros literários favoritos é o suspense/mistério. E confesso que sou bem exigente com esse gênero! Sempre que escolho um para ler, espero ser surpreendida, espero que o autor tenha pensado em algo que me deixe pensando "nem em mil anos eu imaginaria isso!". 

Armadilha é um suspense, mas mais que isso, ele é um thriller. Ou seja, além do mistério, ainda tem aquela carga emocional que deixa o leitor agoniado. E, embora tenha sido uma leitura interessante, não foi nem de longe um dos meus suspenses favoritos. 

Nessa obra temos Linda, uma escritora famosa que não sai de casa há uns onze anos. A irmã dela, Anna, foi assassina há doze anos atrás e apenas Linda viu o assassino. Porém, como o assassino não foi encontrado, nem todo mundo acredita em Linda. 

Agora, doze anos depois, Linda reconhece o assassino da sua irmã na TV, ele é um jornalista chamado Victor Lenzen. Ela decide conceder uma entrevista para ele na sua casa com o objetivo de conseguir alguma prova de que foi ele que cometeu o assassinato de Anna. Porém, essa armadilha não funciona exatamente como Linda esperava. Então, a história toma um rumo diferente do esperado pelo leitor. 



Armadilha é um ótimo thriller, mas não é um bom suspense. Diferentemente de outros livros do gênero, Armadilha não traz várias opções de assassinos em potencial para o leitor ficar confuso pensando "quem matou? como? WTF?". Nessa obra, temos apenas duas opções e a verdadeira é a mais óbvia, pelo menos para mim. Então, não acho que essa obra possa ser considerada um bom mistério. Maaaaas...

Enquanto thriller, Armadilha me satisfez. A protagonista tem muitos problemas emocionais e psicológicos, então a gente não sabe se ela está falando a verdade, se ela não se lembra ou se ela está simplesmente imaginando como poderia ter sido (sim, tem cenas inteiras apenas fruto da imaginação dela). E isso prende o leitor, a gente quer descobrir se a mulher está completamente louca ou se ainda tem um pouco de razão nela. 

Um ponto positivo para a autora foi a construção da protagonista: Linda está tão doente psicologicamente, que é quase palpável. Com o passar da leitura, eu achava que eu também estava ficando louca. Melanie Raabe conseguiu fazer com que eu me colocasse no lugar da personagem, que eu vivesse esse livro, parecia que eu estava lá, sofrendo com a Linda, levando cada susto. 

"Sei que deveria fazer alguma coisa antes que seja tarde demais, antes que eu caia por completo no turbilhão da depressão, que me puxa para baixo, para a escuridão. Sei que deveria conversar com um médico, deixar que me prescrevesse alguma coisa, mas não consigo me levantar. O esforço físico parece excessivamente grade. E, no fundo, tanto faz". 

Outro ponto positivo foi a ambientação em um lugar diferente dos outros livros que costumo ler. Tudo bem que Linda passa quase o livro inteiro dentro de sua casa, mas eu consegui aprender um pouco mais sobre Munique, na Alemanha. 

Se você quer um livro pesado, com reviravoltas impressionantes, quer levar uns sustos, mas não se preocupa tanto em ficar surpreso com a descoberta do assassino, então Armadilha é uma boa pedida! Beijos ♥ 

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Caixa de Correio Acumulada: Maio e Junho de 2017

20 julho 2017
Oi, gente. Tudo bem?
Sempre deixo a Caixa de Correio pra depois e ela acaba nem aparecendo por aqui. Mas, dessa vez, eu trouxe os livros recebidos por fotos mesmo, já que por vídeo está bem complicado de fazer. Estou sem câmera e filmar pelo celular fica péssimo. Em agosto, vou tentar fazer uma caixinha só de julho, juro juro. 


Vou falar um pouco mais de cada livro pra vocês!


Em janeiro eu li O Acordo e O Erro em e-book no LEV. Esses são os dois primeiros volumes da Série Amores Improváveis, de gênero new-adult. São meus queridinhos do ano. Gostei tanto, que já tinha decidido comprar os exemplares físicos quando a editora me mandou o terceiro volume.

Também comprei o livro Juventudes, (In)Segurança e Políticas Públicas, do meu professor orientador Giovane Scherer, mas a capa dele na internet está sem qualidade :S



O livro Armadilha, da autora Melanie, eu recebi da editora Jangada. É um thriller que parece ser bem misterioso com uma pontinha de terror. Já Orgulho e Preconceito, da Jane Austen e O Orfanato da Luz, da Caroline Cristine Pietrobon, vieram da Giz Editorial



Para divulgação, a Companhia das Letras (e os selos Suma e Paralela) me enviou A Rainha de Tearling (que a Paula já resenhou aqui no blog), O Jogo  (terceiro volume de Amores Improváveis) e A Febre do Amanhecer. Mais tarde, me mandou o livro Nossas Noites, que está abaixo. 


E, por fim, a Verus Editora me mandou Casada Até Quarta, da autora Catherine Bybee.

O livro que não está na foto é A Rainha de Tearling, que já foi para a Paula (resenhista) ler e resenhar, mas tem foto do livro no Instagram. 
Os dois livros que comprei tem em várias lojas online, mas achei mais barato na Saraiva. Uma boa dica é se cadastrar no http://www.cupomvalido.com.br/, que tem várias promoções e cupons de desconto. Lá estão, não só a Saraiva, mas várias outras lojas que vendem livros (como o Submarino, Americanas, Extra...).

Logo vou postar as resenhas que estão faltando, fiquem de olho! Beijos

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